Sabia que Keynes era um investidor? veja o que ele faria hoje!

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Sabia que Keynes era um investidor? veja o que ele faria hoje!

Mensagem por Nadson Moraes em Qui Fev 06, 2014 3:58 am

O que muita gente desconhece sobre o economista John Maynard Keynes é que ele foi um investidor profissional, e não apenas um pensador que debruçou-se sobre grandes questões econômicas. Embora Keynes não tenha previsto o crash de 1929 e tenha perdido quase todo seu capital em três ocasiões distintas, ganhou dinheiro durante alguns dos anos mais difíceis.

Então, como é que o pai da economia keynesiana, falecido em 1946, teria agido em 2014? Ele provavelmente não teria sido influenciado pela recente queda no mercado - o índice S&P 500 perdeu 3% até 24 de janeiro. No início de 1930, Keynes logo descartou o consenso generalizado com base em análises de fundamentos econômicos, passando, em vez disso, a focar o valor intrínseco das companhias. A estratégia influenciou megainvestidores como Warren Buffett, George Soros e John Bogle.

Quando as ações tomavam uma surra, Keynes comprava. Ao fazer pesquisas para meu recente livro "Keynes's Way to Wealth", descobri que Keynes ganhou dinheiro em 12 dos 18 anos entre 1928 e 1945, um período que compreende o crash de 1929, a Grande Depressão e a Segunda Guerra. No todo, o retorno anualizado da carteira "Chest" em Cambridge, um portfólio do qual ele foi gestor, chegou a 13% entre 1928 e 1945, em comparação com 0,11% negativo para o mercado britânico no período.

Como Keynes conseguiu esse desempenho? Conheça algumas estratégias que ele desenvolveu:

1. Ignore o ruído - Keynes considerava as informações diárias de preços como: "uma influência inteiramente excessiva, e até mesmo absurda, sobre o mercado". A menos que você seja capaz de superar os programas robóticos que compram e vendem ações em alta frequência, você não deve operar no mercado com base nas variações de preços no curto prazo. Pense em horizontes anuais e pratique política de investimentos de longo prazo.

2. Seja "do contra" - Isso significa comprar ações não badaladas, e não dos glamourosos titãs da tecnologia, como Google e Apple. Keynes comprou ações de companhias fora dos holoftes, nos setores de navegação, ferroviário e minerador nos anos 1930. Elas mais tarde se recuperaram e registraram lucros enormes. Hoje, os sapos que poderão virar príncipes estão nos setores imobiliário, de energia e de geração - todas com os piores retornos no S&P 500 no ano passado.

3. Prefira ações a títulos para superar a inflação - Keynes abandonou a "dieta" tradicional dos gestores de carteira institucionais - títulos e ações - e passou a "digerir" ações em 1920 e 1930. Além de proporcionar um retorno de 30% no ano passado, as ações ordinárias valorizaram, em média, 10% entre 1926 e 2013. Os "ultraseguros" títulos do Tesouro dos EUA renderam, em média, apenas 3,5% e perderam para a inflação no ano passado.

4. Commodities podem ser perigosamente voláteis - Keynes manteve-se fortemente exposto a contratos futuros de commodities na década de 1920, mas foi esmagado no crash de 1929. Commodities são uma proteção confiável contra a inflação que não acompanham o movimento das ações; mas, em caso de catástrofe no mercado, as commodities acompanham as ações. Quando a demanda mundial por mercadorias como petróleo, metais e produtos agrícolas despenca, como ocorreu na década de 1930 e em 2008, é bom ter mantido distância desses mercados.

5. Dividendos são desejáveis - Algumas das empresas mais valiosas do mundo não são glamourosas, mas vêm pagando dividendos estáveis há décadas. Vale a pena investir nelas porque intensificam o retorno total acumulado, especialmente se você reinvestir os dividendos em mais ações. Keynes buscou pagadoras de dividendos nos anos 1930, quando as ações de muitas dessas empresas estavam sendo rejeitadas. Atualmente, você sequer precisa comprar ações individuais: compre e mantenha participações em um fundo listado em bolsa (ETF), como o SPDR S&P Dividend, que investe em empresas sólidas, como AT&T, Consolidated Edison e Clorox. O fundo ganhou 30% no ano passado, proporciona um rendimento de 2% e cobra uma taxa de administração de 0,35% ao ano pela gestão de uma carteira de empresas que vêm incrementando regularmente os seus dividendos.

6. Pare de suar - Quando Keynes parou de tentar identificar os momentos certos para assumir e/ou vender posições no mercado, ele passou a ter mais êxito. Suas melhores carteiras incluíam empresas com sólidas perspectivas de longo prazo, que foram compradas a preços de banana e envolviam empresas em todo o mundo. Ele comprava mais ações quando ficavam mais baratas, ignorando o grau de interesse do mercado. Keynes aprendeu que abandonar previsões "macro" era vantajoso, ele se deu bem ao privilegiar um enfoque baseado nos valores intrínsecos das empresas ou em que medida poderiam ampliar seus ganhos no futuro com base nos modelos de gestão e de negócios.

A lição keynesiana é investir de olho num horizonte mais distante, manter-se fiel ao plano de investimentos e evitar se distrair. Aproveite oportunidades de compra - mesmo quando o ânimo da manada parecer depressivo.

John Wasik é colunista da Reuters e as opiniões expressas nesta análise correspondem à visão do autor e não as da Reuters ou do Valor Econômico.


Fonte: Jornal Valor Economico
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Nadson Moraes

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